No início de 2026, os Estados Unidos atingiram um divisor de águas demográfico com implicações profundas para sua hegemonia econômica, registrando, pela primeira vez em mais de meio século, uma migração líquida potencialmente negativa. Este fenômeno, reportado pelo Washington Post e pela Instituição Brookings, reflete uma reversão abrupta sob a administração Trump, resultante de deportações em massa e restrições severas de vistos que geraram uma perda líquida estimada de centenas de milhares de indivíduos em apenas um ano. Embora as saídas recebam atenção midiática, a desaceleração também é impulsionada pela redução drástica de programas humanitários e fluxos na fronteira sudoeste. Estimativas sugerem que a imigração líquida em 2025 variou entre -295.000 e -10.000, com projeções para 2026 que podem chegar a uma perda de 925.000 pessoas. Essa retração cria um vácuo crítico em setores dependentes de mão de obra intensiva, como construção, agricultura e serviços, ameaçando estagnar a produtividade e elevar custos operacionais em escala nacional.
A transição para a imigração negativa impõe um teto artificial ao crescimento econômico, desafiando a sustentabilidade de setores vitais e as projeções de longo prazo do Congressional Budget Office (CBO). O crescimento robusto observado entre 2022 e 2024 fundamentou-se na oferta de mão de obra estrangeira, mas o cenário atual reduziu o chamado crescimento de equilíbrio do emprego. Para estabilizar o desemprego, o nível necessário de novas vagas caiu drasticamente, e a retração migratória deve subtrair entre US$ 60 bilhões e US$ 110 bilhões do consumo total nos próximos dois anos. O CBO já apontava que, a partir de 2040, o crescimento populacional dependeria integralmente da imigração devido ao envelhecimento nativo e à baixa taxa de fertilidade de 1,70, valor insuficiente para a substituição populacional. Sem o motor demográfico externo, as estimativas de expansão do PIB real em 0,2 pontos percentuais anuais e o incremento de US$ 1,2 trilhão em receitas federais enfrentam obstáculos severos.
A escassez de trabalhadores reflete-se diretamente na inflação de custos, conforme evidenciado pelos dados do Bureau of Labor Statistics (BLS) de janeiro de 2026. Na agricultura, a crise de custos detalhada pelo USDA eleva o preço final dos alimentos, enquanto na construção civil, a falta de mão de obra impede a expansão da oferta imobiliária, mantendo os preços de moradia artificialmente elevados. No setor de saúde, o crescimento desproporcional da população idosa em relação à ativa gera uma pressão insustentável sobre o Medicare e a Seguridade Social, agravada pela ausência de profissionais de suporte estrangeiros. Essa dinâmica altera o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) ao criar gargalos de oferta em serviços básicos e bens essenciais, comprometendo o poder de compra das famílias norte-americanas.
Portanto, a conjuntura de 2026 estabelece uma nova normalidade estrutural, onde a imigração deixou de atuar como o elemento compensatório central para a estabilidade macroeconômica. A perda da via de mão dupla, na qual o imigrante impulsionava simultaneamente a oferta e a demanda, força uma readequação dos modelos de negócio e da política monetária. Embora o mercado de trabalho demonstre certa resiliência, a base de trabalhadores disponíveis está em retração real, tornando o desemprego um indicador de política imigratória tanto quanto de ciclos econômicos. O novo equilíbrio econômico exige uma gestão cautelosa que reconheça o caráter permanente dessa mudança, sob o risco de que o enfraquecimento da produtividade e o declínio da força de trabalho nativa tornem-se entraves definitivos à saúde fiscal e à vitalidade dos Estados Unidos.